Purim dos Purins e o tempo dos improváveis destravado!

 

Dada a situação em que nos encontramos hoje no Oriente Médio, a história bíblica de Purim narrada no Livro de Ester se torna não apenas atual, mas quase desconcertantemente pessoal. 

O Irã, que um dia foi o centro do poderoso Império Persa, volta a ameaçar a existência do povo judeu. 

O cenário mudou, os nomes mudaram, mas o espírito do conflito permanece assustadoramente semelhante também para cristãos, minorias e todo o povo do Irã; religiosos ou não.

Essa tensão nos obriga a reler Ester com outros olhos. 

Curiosamente, aprendemos mais sobre ela, sobre a Pérsia e sobre Purim nos últimos dois anos do que em décadas apenas lendo o texto bíblico de forma desconectada da história e da geopolítica.



O Legado de Ester: Arqueologia e Tradição Viva

As descobertas dos últimos dois a três anos reforçam que a precisão do cenário é impressionante.

1. O Palácio de Susa (Susã)

Pesquisas recentes com magnetometria em Susa confirmaram que a descrição bíblica do palácio não é genérica. O texto cita pátios internos, jardins e o "Apadana" (sala do trono) com uma exatidão arquitetônica que só alguém que viveu no local poderia descrever. 

O "Portão do Rei", onde Mordecai ficava, foi mapeado como um centro burocrático real, exatamente como o livro sugere.

2. O Túmulo de Ester e Mordecai (Hamadã)

Diferente de Susa, que hoje são ruínas, a cidade de Hamadã (a antiga Ecbatana, capital de verão dos persas) abriga o que a tradição aponta como o túmulo de Ester e seu primo mais velho que a criou como tio.

  • A Sinagoga: O mausoléu é uma estrutura de tijolos do século XIII (reconstruída sobre fundações muito mais antigas) que funciona dentro de uma pequena e discreta sinagoga.

  • Estado de Conservação: Apesar das tensões geopolíticas, o local permanece protegido e conservado pelo governo iraniano como patrimônio histórico.

  • O Interior: Dentro do mausoléu, existem dois sarcófagos de madeira esculpida (cenotáfios) cobertos com tecidos preciosos. Inscrições em hebraico nas paredes citam passagens do Livro de Ester e a genealogia dos dois personagens.

3. Evidências de "Nomes Reais"

Estudos recentes nos Tabletes de Fortificação de Persépolis revelaram o nome Marduka (equivalente a Mordecai) e aparece como oficial administrativo de alto escalão durante o reinado de Xerxes I. 


Por que isso é relevante hoje?

A existência desse túmulo no Irã é um dos poucos elos físicos que restaram da presença judaica milenar na Pérsia. Ele serve como um "museu vivo":

  • Purim: Até hoje, judeus visitam o local para ler a Meguilá (o rolo de Ester) durante a festa de Purim.

  • Resiliência: O fato de uma sinagoga com nomes bíblicos ser preservada em solo iraniano moderno é considerado por historiadores como um fenômeno de continuidade cultural único.

Curiosidade: O túmulo de Ester é considerado o local de peregrinação judaica mais importante fora de Israel.

 

E talvez isso não seja coincidência.


O que é Purim, afinal?

Purim vem da palavra hebraica pur, que significa “sorte”. 

Foi o sorteio lançado por Hamã, o amalequita, para definir o dia mais favorável para exterminar os judeus espalhados pelo Império Persa. 

O que Hamã não contava é que, quando a sorte é lançada contra um povo que carrega promessas, o céu entra no jogo.

O plano maligno foi frustrado. 

O decreto foi revertido. 

O destino mudou de direção.


Tudo isso aconteceu enquanto os judeus estavam no exílio, longe de Jerusalém, vivendo sob domínio estrangeiro. 

O centro do poder era Susa, capital de Elam, território que hoje corresponde ao atual Irã. 

Essa não é apenas uma curiosidade histórica; é uma chave de leitura.


Um livro sem o nome de Deus e cheio da ação Dele, o povo judeu chama essa história de Meguilat Ester, o Livro de Ester, que faz parte de um grupo especial de cinco livros lidos em datas específicas do calendário judaico. 

Ainda assim, nenhum outro livro revela tão claramente um Deus que age nos bastidores.

Deus não é citado, mas está em tudo: nos atrasos, nas coincidências, nas insônias do rei, nas reviravoltas políticas, nas decisões aparentemente pequenas que mudam destinos inteiros. 

Ester nos ensina que o silêncio de Deus nunca é ausência; muitas vezes é estratégia.


Em Israel, Purim é celebrado com alegria escancarada. 

As pessoas se fantasiam, a história é lida do começo ao fim nas sinagogas, e toda vez que o nome de Hamã é mencionado, há vaias, barulho, confusão proposital. É quase infantil, mas bem longe de ser um carnaval judeu... é profundamente sério ao mesmo tempo.

Pode soar estranho comemorar uma história que terminou em conflito e mortes, mas a Bíblia não condena o povo judeu por ter se defendido. 

Purim celebra a sobrevivência. 

Celebra o fato de que, mais uma vez, o povo escapou por pouco. 

E o tempo, como sempre, revelará o que Deus dirá sobre a forma como Israel tem se defendido também em nossos dias.


Déjà vu histórico!

Aqui estamos novamente, cerca de 2.500 anos depois, com ameaças de extermínio partindo da mesma região. 

O Irã moderno ecoa a antiga Pérsia. 

As palavras mudaram, mas o desejo de eliminação continua explícito.

A pergunta é inevitável: veremos outra reviravolta completa, como nos dias de Ester?


Nos tempos bíblicos, Hamã tentou destruir os judeus e acabou derrotado. 

Hoje, analistas e líderes reconhecem que a ameaça iraniana não é apenas retórica. 

Mísseis, alianças terroristas e uma escalada que parece cada vez mais difícil de conter colocam Israel novamente em um ponto de sobrevivência.

No momento em que embaixadas americanas recebem avisos de esvaziamentos e retiram seus cidadãos do território de Israel... 

Vigiamos e oramos por judeus e pelo povo do persa.


Irã e Israel tem uma ligação mais profunda do que se imagina.

Na história bíblica, o vilão não era o rei persa, mas um oficial de alto escalão. 

O rei teve compaixão de Ester e de seu povo. 

Isso ecoa de forma surpreendente hoje.

Reza Pahlavi, filho do xá exilado do Irã, tem declarado publicamente seu apoio a Israel, lembrando que Irã e Israel compartilham uma relação bíblica de mais de 25 séculos. 

Foi Ciro, o Grande, rei da Pérsia, quem libertou os judeus da Babilônia e financiou a reconstrução do Templo em Jerusalém.


Enquanto o regime islâmico financia o terrorismo, muitos iranianos anseiam por liberdade. 

Protestos exibem o antigo leão da bandeira persa. 

Milhões abandonam o Islã. 

Testemunhos de sonhos e visões com Yeshua se multiplicam.

A igreja secreta vive um avivamento.

Um número crescente se volta ao Deus de Israel  e muitos reconhecem o Messias judeu com coragem impressionante.


Curiosamente, isso também está no Livro de Ester: muitos persas se juntaram ao povo judeu quando perceberam que Deus estava com eles e se convertem ao judaísmo.


Purim 5786 e os sinais nos céus.

Não é irrelevante que tudo isso esteja sendo discernido às vésperas de Purim 5786.

Pelo terceiro ano consecutivo, um eclipse de Lua de Sangue acontece exatamente em Purim. Biblicamente, eclipses nunca foram tratados como superstição, mas como sinais de tempos e transições. Não determinam o futuro; sinalizam mudanças.

Sonhos, guerras, terremotos, tensões globais e alinhamento planetário. 

O natural refletindo o espiritual.

Por isso muitos têm chamado este tempo de “o Purim dos Purins”. 

Uma percepção de que estamos diante de um ciclo intenso de reversões: decretos sendo anulados, identidades sendo restauradas, alianças sendo expostas, destinos sendo reposicionados, improváveis destravados.


Quando a história coletiva encontra a história pessoal.

Há mais de 500 anos entre Saul (c. 1050 a.C.) e Ester (c. 480 a.C.). 

Historicamente, isso representa algo entre 20 e 25 gerações. 

É um tempo longo demais pra recuperar um direito espiritual para reinar.

Mas a história de obediência radical de Ester fez a maldição da desobediência de Saul em não se vingar dos amalequitas como Deus ordenou fosse quebrada.

Quando olho para esse dado, ele deixa de ser apenas cronologia e se torna espelho.


Assim como Ester, meus antepassados atravessaram o apagamento.

Perderam nomes, prestígio, posições, terras, bens e lugar de voz.

O que um dia foi identidade virou silêncio.

O que foi herança virou sobrevivência por gerações!

E, ainda assim, a linhagem não foi interrompida.

Isso me coloca em paralelo com Ester não por status, mas por processo.

Ela também não nasceu rainha.

Ela também chegou como improvável.

Ela também precisou ocultar quem era antes de se revelar no tempo certo.

Chegar até aqui já é, por si só, um testemunho.


Para que tempo chegamos?

Purim sempre fala de sorte lançada que se inverte, sentenças revogadas, decretos cancelados, vozes silenciadas que voltam a falar. 

Mas Purim 5786 nos encontra num mundo novamente tensionado, com ameaças antigas ressurgindo e com muitos posicionados sem ainda entender por quê.

Talvez a pergunta não seja apenas “de onde eu vim?”, mas “para que tempo eu cheguei?”

Sobreviver ao apagamento também é um chamado.

Retomar um legado familiar também é milagre.

Purim não celebra o caos.

Celebra o Deus que governa o invisível, trabalha nos bastidores e transforma improváveis em resposta para o seu tempo.

E talvez seja exatamente por isso que a história Ester, a do povo judeu, a dos meus antepassados e a sua não terminou antes de chegar aqui.

A maldição termina em nós.

A próxima geração é Neemias servindo na mesa de reis e reconstruindo um palácio para o Retorno do Grande e Eterno Rei.

Agora sim, estamos no mesmo texto, na mesma história e no mesmo tempo.

De novo estamos num tempo como este: o Purim dos Purins!

Você está devidamente autorizado a reclamar seus direitos reais em até mil linhas sanguíneas.

Destrave, voe, possua suas montanhas e reine com sabedoria refletindo a glória do Senhor!




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